quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Coluna social ou produção de conteúdo?

Por Marília Marcucci

“Agora você pode contar para o mundo inteiro o que você faz e pensa. Você não é mais um anônimo sobre o qual ninguém quer saber ou se importa. Você pode compartilhar tudo, desde uma simples dor de cabeça até o nascimento de um filho – e o mundo todo vai ficar sabendo! Irão comentar... dizer o quanto estão felizes por você! Você finalmente será conhecida por aquilo que faz e gosta, sem precisar de jornal global! Você será sua própria jornalista, espectadora e editora. Não é maravilhoso?”. Alice concordou perdidamente, deu as mãos para o Facebook e iniciou uma nova vida!

Começou a dizer para todos os cantos o quanto ela era feliz e inteligente. O quanto gostava de música boa e quantos amigos legais ela tinha. E também o quanto trabalhava! Ela trabalhava muito, vivia numa correria louca e fazia questão de dividir o seu dia-a-dia com todo mundo. Dividindo, tudo ficava mais fácil. Era como se os seus espectadores a entendessem de verdade. Sua vida mudou completamente. Editá-la era muito divertido! Ela contava tudo o que fazia. E os amigos comentavam! Era maravilhoso! Todo mundo sabia o quanto ela era feliz e se conhecia!

E não era só a história de Alice que importava. As histórias dos seus amigos também eram importantes e ela participava bastante da vida deles. Sabia tudo o que acontecia. Elogiava suas conquistas, curtia seus entretenimentos, participava de tudo. Um dia, sua vizinha publicou a foto de um bolo tão maravilhoso que podia partilhar com ela o gosto do chocolate, sem colocar um pedaço que fosse na boca!

Alice conhecia o mundo também. Seus amigos viajavam bastante e ela passava horas degustando as fotos dos lugares por onde passavam. Ela sonhava em viajar para fora do país, só para fotografar seus momentos em tempo real e compartilhar com os amigos! “Imagina, eu, em Chicago, compartilhando tudo...”, sonhava.

Então, o Facebook, conferindo de perto essas facilidades, resolveu intervir. Enviou para Alice um conjunto de palavras estranhas, pedindo atenção para conteúdos escondidos diante de tanta rede social. Ele escreveu palavras como: “cultura digital”, “generosidade coletiva”, “sabedoria das multidões”, “produção de conteúdo”,
- Capitalistas sociais?
- Humanismo
macumba on line”, “capitalistas sociais”, “humanismo”. Será que esses conceitos cabem no mundo de Alice?

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